• O VELHO E O FOGO

    A missão era especial. Escrever uma reportagem sobre os 75 anos de um quartel de bombeiros.
    Nem coloquei a hipótese de usar uma estrutura convencional, árida, cronológica. O meu oásis seria o de sempre: um ângulo diferente. Parti em busca dele e senti-me finalmente saciado quando descobri um antigo bombeiro com 96 anos, que praticamente acompanhou a vida do quartel. Reuni com ele vários dias, ouvi relatos fascinantes, acompanhados por testemunhos emocionados dos companheiros.
    Não demorou muito até sentir que esse seria o caminho. Sentei-me na secretária e as palavras foram saindo, uma a uma. A noite prolongou-se até o sol entrar pela janela. Foi nesse momento que constatei que tinha contado a história através das vivências dele.



  • A ASSOMBRAÇÃO DA PORTA 18

    O primeiro Halloween do Shortcutz Viseu foi assombroso. Decorria 2013 e os seus organizadores decidiram oferecer um espectáculo memorável à cidade. Uma maratona de oito curtas-metragens de cinema fantástico, projectadas num velho armazém abandonado na zona histórica. Entusiasmado e inspirado com a ideia, escrevi um pequeno texto em forma de teaser para servir de aperitivo ao evento. Foi no dia 18, na porta 18. Esta madrugada, recordo-o.



  • UMA CAMINHADA NA FLORESTA DAS ALMAS PERDIDAS

    Um filme de terror português é um cenário raro no panorama cinematográfico nacional. Um sonho difícil de alcançar que uma equipa jovem decidiu perseguir. Na algibeira, um orçamento irrisório e uma vontade abastada. Foi filmado em Águeda, a minha terra natal, mas já se espalhou pelos quatro cantos do mundo, onde conquistou aplausos, vénias, prémios e o respeito da crítica internacional.
    Estas são algumas histórias nos bastidores da sua produção.



  • AS FRONTEIRAS DA GUERRA (III – Amanhecer Violento)

    Chaves esteve em guerra. Durante 48 horas, jipes com metralhadoras, antiaéreas, veículos de combate, camiões militares e mais de uma centena de “soldados” invadiram as montanhas de Trás-os-Montes. “Dark Revelation” é considerado o evento de airsoft mais realista do país. Tudo é meticulosamente organizado e planificado de forma a oferecer aos participantes uma experiência de combate real. Ao longo de uma saga que já contabiliza quatro eventos, foi criado um enredo cheio de detalhes e com nações e exércitos ficcionais (embora as denominações sejam trocadilhos com a realidade). O nível de genuinidade é tão extremo que durante 48 horas as fronteiras entre a realidade e a simulação misturam-se, tornam-se ambivalentes. Quando essa linha indefinida é atravessada – e estes homens atravessam-na – a única diferença é que as “balas” são de plástico.
    Acompanhei o evento como repórter de guerra e integrei um batalhão de forças especiais russas (Vityaz). Atravessei com eles as florestas, vivi com eles nas trincheiras, partilhei as suas sensações.
    Uma dúvida subsistia. Como se cobre um evento onde se tenta recriar a realidade ao mais ínfimo detalhe? Talvez só haja uma forma de o fazer. Como se tudo fosse, efetivamente, real!
    Por isso, a partir deste momento, o meu nome é Viktov Malu. E esta é a história que eu trouxe quando atravessei as fronteiras da guerra.



  • AS FRONTEIRAS DA GUERRA (II – A Noite de Todos os Perigos)

    Chaves esteve em guerra. Durante 48 horas, jipes com metralhadoras, antiaéreas, veículos de combate, camiões militares e mais de uma centena de “soldados” invadiram as montanhas de Trás-os-Montes. “Dark Revelation” é considerado o evento de airsoft mais realista do país. Tudo é meticulosamente organizado e planificado de forma a oferecer aos participantes uma experiência de combate real. Ao longo de uma saga que já contabiliza quatro eventos, foi criado um enredo cheio de detalhes e com nações e exércitos ficcionais (embora as denominações sejam trocadilhos com a realidade). O nível de genuinidade é tão extremo que durante 48 horas as fronteiras entre a realidade e a simulação misturam-se, tornam-se ambivalentes. Quando essa linha indefinida é atravessada – e estes homens atravessam-na – a única diferença é que as “balas” são de plástico.
    Acompanhei o evento como repórter de guerra e integrei um batalhão de forças especiais russas (Vityaz). Atravessei com eles as florestas, vivi com eles nas trincheiras, partilhei as suas sensações.
    Uma dúvida subsistia. Como se cobre um evento onde se tenta recriar a realidade ao mais ínfimo detalhe? Talvez só haja uma forma de o fazer. Como se tudo fosse, efetivamente, real!
    Por isso, a partir deste momento, o meu nome é Viktov Malu. E esta é a história que eu trouxe quando atravessei as fronteiras da guerra.



  • AS FRONTEIRAS DA GUERRA (I – Fúria ao Entardecer)

    Chaves esteve em guerra. Durante 48 horas, jipes com metralhadoras, antiaéreas, veículos de combate, camiões militares e mais de uma centena de “soldados” invadiram as montanhas de Trás-os-Montes. “Dark Revelation” é considerado o evento de airsoft mais realista do país. Tudo é meticulosamente organizado e planificado de forma a oferecer aos participantes uma experiência de combate real. Ao longo de uma saga que já contabiliza quatro eventos, foi criado um enredo cheio de detalhes e com nações e exércitos ficcionais (embora as denominações sejam trocadilhos com a realidade). O nível de genuinidade é tão extremo que durante 48 horas as fronteiras entre a realidade e a simulação misturam-se, tornam-se ambivalentes. Quando essa linha indefinida é atravessada – e estes homens atravessam-na – a única diferença é que as “balas” são de plástico.
    Acompanhei o evento como repórter de guerra e integrei um batalhão de forças especiais russas (Vityaz). Atravessei com eles as florestas, vivi com eles nas trincheiras, partilhei as suas sensações.
    Uma dúvida subsistia. Como se cobre um evento onde se tenta recriar a realidade ao mais ínfimo detalhe? Talvez só haja uma forma de o fazer. Como se tudo fosse, efetivamente, real!
    Por isso, a partir deste momento, o meu nome é Viktov Malu. E esta é a história que eu trouxe quando atravessei as fronteiras da guerra.



  • UMA JORNADA AO PASSADO

    Não me lembro se a visitei antes, mas tenho a certeza que foi em 2007 que me apaixonei por ela. Foi nesse Verão, nessa sexta-feira, que decidi que ela não ia ser uma feira. Seria uma viagem. E eu jamais seria um visitante. Ia ser um viajante. E algures durante essa decisão, apaixonei-me. Assim, do dia para a noite. Do presente para o passado. Guardei para sempre o manuscrito onde registei essa primeira viagem. Não guardei as palavras só para mim. Partilhei-as à primeira luz de Domingo. Primeiro com o Norte. Depois com todo o país. Hoje partilho-as contigo.



  • A GUARDIÃ DE CAVALOS DE FERRO

    Durante décadas, habituámo-nos a ver a guarda da passagem de nível a sair dos seus cubículos de tijolo e telha e a atravessar a estrada com uma corrente na mão ou a manejar a cancela que delimita a passagem. Eram elas que controlavam o tráfego de carros e peões durante a passagem dos comboios. Já a passagem do tempo é incontrolável e a Refer tem vindo a suprimir e reconverter as passagens de nível com meios automatizados. Junto à linha do Vouga, a única linha de via estreita ainda em funcionamento no país, encontrámos uma destas profissionais, que aceitou partilhar connosco o seu cubículo e o seu quotidiano. Testemunhámos os hábitos, motivações, métodos e receios de uma profissão em vias de extinção.



  • POR ESSE RIO ACIMA

    O calor de verão quase derretia o asfalto do Porto e eu estava sedento de uma reportagem ao ar livre. Falei com os meus editores, enchi uma mochila com tralhas e parti para os confins nortenhos de Portugal. Esperava-me uma expedição em canoa ao longo de quatro dias e quase 100 quilómetros pelas águas azul-esmeralda do desfiladeiro selvagem do Douro Internacional. A aventura transformou-se numa reportagem de quatro capítulos, intitulada “Por esse Rio Acima” e publicada nos primeiros dias de Setembro de 2007. Está agora disponível para ser lida na íntegra. Uma aventura à força dos remos à distância de um clique.



  • PAREDES HUMANAS

    Olho para a sua estrutura clássica, com o seu telhado em V e a chaminé num dos cantos. A porta pintada de azul, um azul desmaiado e ao mesmo tempo vívido, como um olhar nórdico. O arbusto que espreita à janela, as sombras desenhadas pelas árvores de fruto e a forma bucólica como o vegetação a contorna, como uma ilha num oceano de águas verdes. Que belo, que sereno será o barulho trémulo dessas águas nos dias de vento, tal como o silêncio nocturno dos céus estrelados, apenas perfurado por cantigas de grilos e cigarras. E olho as suas cicatrizes, inúmeras, que tantos segredos vincarão consigo.



  • SEMEAR A INSPIRAÇÃO

    O acto de semear é cada vez menos natural. A artificialização é deliberada e tem desígnios bem enraizados no controlo industrial do sistema alimentar. As consequências fazem-se sentir a vários níveis, alguns roçam o macabro. Há cada vez mais pessoas atentas a essas raízes e determinadas em arrancá-las. Uma jovem realizadora portuguesa é uma delas. «Seed Act» é a sua enxada.



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